Lucro Presumido é um regime tributário em que o Imposto de Renda (IRPJ) e a Contribuição Social (CSLL) são calculados sobre uma base de cálculo presumida pelo governo, e não sobre o lucro real da oficina. Para empresas de serviço, a Receita Federal presume que 32% do faturamento é lucro, independente da margem real do negócio.
Isso significa que, se a oficina tem margem real maior que 32%, paga proporcionalmente menos imposto que pagaria no lucro real. Se a margem é menor que isso — comum em oficina com muito custo de peça e mão de obra —, o Lucro Presumido pode cobrar imposto sobre um lucro que não existiu de fato.
O que é Lucro Presumido e quando ele se aplica à oficina mecânica?
Lucro Presumido é uma opção de regime tributário disponível para empresas com faturamento de até R$ 78 milhões por ano, conforme a Lei 9.249/1995. Para oficinas que prestam serviço (mão de obra mecânica, elétrica, funilaria), a base de presunção é de 32% do faturamento para fins de IRPJ e CSLL.
Esse regime é uma alternativa ao Simples Nacional e ao Lucro Real. Diferente do Simples Nacional, que unifica os tributos em uma só guia com alíquota progressiva por faturamento, o Lucro Presumido separa cada imposto (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ISS) e costuma fazer sentido para oficinas que já cresceram além do limite do Simples ou que têm margem real mais alta que a presunção legal.
Quanto custa pagar imposto pelo Lucro Presumido?
A conta começa pela base presumida de 32% do faturamento de serviços. Sobre essa base, incide 15% de IRPJ, mais um adicional de 10% sobre a parte da base presumida que exceder R$ 20 mil por mês. A CSLL é 9% sobre a mesma base presumida. PIS e COFINS, no regime cumulativo do Lucro Presumido, somam 3,65% sobre o faturamento bruto (0,65% + 3%).
| Tributo |
Base de cálculo |
Alíquota |
| IRPJ |
32% do faturamento |
15% (+10% sobre o excedente de R$ 20 mil/mês na base) |
| CSLL |
32% do faturamento |
9% |
| PIS |
Faturamento bruto |
0,65% |
| COFINS |
Faturamento bruto |
3% |
| ISS |
Faturamento de serviços |
Definido pelo município (2% a 5%) |
Numa oficina que fatura R$ 50 mil por mês só em serviços, a base presumida de IRPJ e CSLL é R$ 16 mil (32% de R$ 50 mil) — abaixo do limite de R$ 20 mil que ativa o adicional de IRPJ. Sobre essa base, paga 15% de IRPJ (R$ 2.400) e 9% de CSLL (R$ 1.440), além de 3,65% de PIS/COFINS sobre o faturamento bruto (R$ 1.825) e o ISS municipal.
Como fazer na prática
- Calcule sua margem real de lucro — compare o lucro líquido real da oficina (depois de peça, mão de obra, aluguel e impostos) com os 32% presumidos pela lei.
- Simule os dois regimes lado a lado — peça ao contador uma simulação comparando Simples Nacional e Lucro Presumido com o faturamento real dos últimos 12 meses.
- Verifique o limite de faturamento do Simples — se a oficina está perto ou já passou de R$ 4,8 milhões por ano, o Lucro Presumido pode ser a única opção legal de qualquer forma.
- Separe contabilmente serviço de venda de peça — o ISS incide só sobre o serviço, então misturar as duas receitas na nota fiscal distorce o cálculo do imposto devido.
- Reavalie a opção de regime uma vez por ano — a troca entre regimes geralmente só pode ser feita no início do ano-calendário, então o planejamento precisa vir antes de dezembro.
- Mantenha o DRE da oficina atualizado mês a mês — sem ele, fica impossível saber se a margem real está acima ou abaixo dos 32% presumidos.
Lucro Presumido é melhor que o Simples Nacional para minha oficina?
Depende da margem real e do faturamento. Oficinas com margem de lucro real acima de 32% tendem a pagar menos imposto sobre o lucro no Lucro Presumido do que pagariam proporcionalmente no Simples, mas perdem a simplicidade de guia única e podem ter mais obrigações acessórias (mais declarações, mais controle contábil).
Já oficinas com margem real abaixo de 32% — situação comum em quem trabalha com muita peça de terceiro e baixa margem na mão de obra — tendem a pagar menos no Simples Nacional, porque a alíquota ali incide sobre o faturamento, não sobre um lucro presumido que pode ser maior que o real.
Essa decisão também afeta como a oficina deve tratar o pró-labore do dono. Veja como isso se conecta com a estratégia de separar CNPJ do CPF na hora de definir a remuneração do proprietário em qualquer regime tributário.
Perguntas Frequentes
Lucro Presumido serve para oficina MEI?
Não. O MEI tem regime tributário próprio, o Simples Nacional para Microempreendedor Individual, com teto de faturamento de R$ 81 mil por ano. Para migrar para Lucro Presumido, a oficina precisa primeiro deixar de ser MEI — veja as opções no guia de MEI para oficina mecânica.
Quanto tempo a oficina fica presa ao Lucro Presumido depois de escolher?
A opção de regime tributário vale para todo o ano-calendário. A troca para outro regime só pode ser feita na declaração do ano seguinte, então o planejamento precisa ser feito antes de fechar dezembro.
O Lucro Presumido exige mais contabilidade que o Simples Nacional?
Sim, geralmente exige escrituração contábil mais detalhada e apuração separada de cada tributo (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ISS), enquanto o Simples unifica tudo numa guia só (DAS). Isso costuma significar honorário contábil mais alto.
Como saber se minha margem real está acima ou abaixo dos 32% presumidos?
Calcule o lucro líquido real do mês (faturamento menos todos os custos e despesas) e divida pelo faturamento bruto. Se o resultado for maior que 32%, o Lucro Presumido tende a tributar proporcionalmente menos que a realidade; se for menor, tende a tributar mais.
Antes de decidir o regime tributário, vale revisar todo o panorama financeiro no guia financeiro para oficina mecânica 2026 — a escolha do regime impacta caixa, preço e margem ao mesmo tempo.
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